30 de dezembro de 2016

Equívoco



A vida me parece uma sucessão de fracassos. Embora eu tente ser otimista, é como se algo gritasse no meu ouvido que vai doer outra vez, como se eu precisasse falhar até entender que talvez o amor que eu venho idealizando não exista mais em parte alguma do mundo. Ninguém mais acredita em amor absoluto, infindável, puro. Talvez eu devesse deixar de acreditar também.

As pessoas sobrevivem de trocas, de comodidades. O amor não entra mais no jogo, ele nunca foi e nunca será moeda de troca, por isso perdeu o valor. As pessoas se perderam. E quanto mais eu as conheço, mais frágil eu me sinto. Nas raras ocasiões em que por descuido me permiti amar outra pessoa, fui esmagadoramente decepcionada. Deixada para trás. Nas silenciosas vezes em que pensei ser correspondida, fui enganada pela minha própria intuição. Talvez seja essa a lição que o universo tenta me ensinar, não se pratica mais o amor, pelo menos não a minha maneira. 

No fim, pessoas são como animais selvagens, você se aproxima receosa e vagarosamente e quando finalmente perde-se o medo deles, quando se esta crédulo de que mal algum acontecerá, eles lhe arrancam um dos braços num bote inesperado e certeiro.

13 de dezembro de 2016

Implacável.


Você me feriu em lugares que eu nem sabia que existiam em mim. Me arrancou tudo em que me fez acreditar, cada plano que fizemos juntos, cada noite em que juramos lealdade até o fim da vida. Você me tirou tudo. Me usou da maneira mais cruel que se pode usar outro alguém e me descartou como quem troca uma peça de roupa. Você me fez acreditar nas suas promessas vazias, me fez acreditar que eu era o problema, que a culpa era minha e apenas minha. Você me destruiu como eu não faria a um inimigo. Mas vá em frente, vá com tudo que tem, por que eu vou voltar ainda mais forte e quanto a você, bem, a lei do retorno é implacável.

1 de novembro de 2016

Sinto muito, meu bem.


Eu tive tanto medo de soltar sua mão, que quase me perdi. Eu senti tanto medo de desfazer nossos laços, que quase me enforquei com eles. Eu sinto muito por nós, pelos anos em que fomos uma dupla formidável, pelas mãos dadas no fim de diversas noites, pelo apoio incondicional que tínhamos um no outro. Eu sinto muito pela nossa conexão, pela leitura de olhares, pelos sorrisos que arrancou de mim, quando o mundo amanhecia inabitável. Sinto muito por todos os planos que fiz com você, por cada eu te amo que escrevi, por cada um dos dias em que pensei que seríamos eu e você, pra sempre. Eu sinto, absolutamente, muito, por todo o amor sentimos, mas acabou. Por mais lindo que tenha sido, acabou. E pela primeira vez, eu me permito dizer isso. Não sou mais tua. Sem culpa, sem piedade, nós nos perdemos. E por mais injusto que isso pareça, estou te dizendo adeus.

Perdoa a demora.


Eu já nem durmo mais, eu já nem sei quem é a pessoa do outro lado do espelho. Eu costumava saber exatamente o que fazer, pra onde ir, o que escrever. E agora estou sentada num quarto vazio, me perguntando onde está aquela minha ansiedade de viver. Por muito tempo eu soube exatamente o que eu queria, e mudar de opinião me deixou apavorada. Eu estive tanto tempo no mesmo lugar, que me assustei ao abrir os olhos e enxergar um horizonte totalmente novo. 
Eu permaneci em cima de um muro muito frágil, por tempo demais, se ainda houver tempo, eu finalmente percebi de qual lado quero estar. Eu estava com medo de me perder, mas pensando bem, é tudo que eu mais quero, me perder com você. Perdoa a demora, agora sei exatamente qual mão quero segurar.

18 de agosto de 2016

Por favor diga alguma coisa.


A gente viveu tanta coisa, fizemos tantos planos, dividimos tantos medos. A gente tinha uma vida toda pela frente, terminar a faculdade, uma viagem juntos, casa, trabalho. Nós planejávamos largar tudo e abraçar o mundo, eramos uma dupla, fazíamos tudo juntos. Eu sabia o que você estava pensando só de te olhar, você me entendia melhor do que eu mesma. E até quem me via na fila do café, sabia que eu tinha encontrado o amor. Sabe, quando você baixa olhos e ri e sente que o cosmos ta do seu lado, que encontrar essa pessoa parada bem na sua frente, só podia ser coisa do destino.

Eu tinha vontade de abraçar o mundo com as suas mãos, jurava que te odiava todos os dias e voltava pra casa toda noite, se voltava, ainda mais apaixonada. A gente não tinha nada em comum, a não ser uma vontade imensa de ficar junto. Eu sei que te disse centenas de vezes, mas nunca pareceu suficiente: como eu te amava. Como eu quis te convencer a abandonar tudo e vir comigo, quantas vezes te pedi pra acreditar em mim, em nós. Mas nunca fui convincente o suficiente, você nunca teve coragem de abandonar seu mundo. Talvez eu fosse intensa demais, talvez sentisse com uma ferocidade tão grande que assustava. Eu não sei, nunca saberei o que te impediu. Nunca saberei o que seria de nós, até onde chegaríamos.

Agora estamos olhando um para o outro sem saber o que dizer, as pessoas costumavam sentir inveja do que tínhamos e agora eu mal sei o que fazer quando você me olha. A gente se feriu e eu não sei como pedir desculpas, ou sequer como desculpar. Quando você vai embora ainda sinto um aperto, e se hoje for a última vez em que te vi, quantas coisas eu deixei de dizer. Por favor, eu só queria saber o que fazer. 

21 de julho de 2016

Não se esqueça


Eu reprovei no teste, estava disfarçando o choro, eu sei, não era pra tanto mas você me conhece, eu entro em pane, quando sua mensagem chegou. Foi ai que que o disfarce acabou. Sentei e chorei como se tivesse acontecido uma tragédia. Na verdade era apenas um pedido de desculpas, pela grosseria da ultima conversa e eu me lembrei que era você quem me dizia que tudo daria certo, quando dava errado. Era você quem me lembrava todos os dias que eu era boa suficiente sim. E tudo que eu queria naquele momento era ter você a vista pra correr pro teu abraço e chorar até os olhos secarem.

Eu me lembrei das vezes em que você riu do meu desespero e passou a mão na minha cabeça como se achasse graça de todo o drama. Me lembrei de quando eu chorei a primeira vez e você me abraçou rindo. Onde você estava, eu nunca precisei tanto de um abraço. Onde você esta agora? Eu ainda preciso desesperadamente de você. Onde você esta, além de dentro de mim? De quem você anda cuidando, já que deixou de cuidar de mim.

Por favor não se esqueça, não se esqueça de tudo que planejamos viver. Por favor, não me diga que se esqueceu de cada um dos planos feitos. Por favor, apenas não se esqueça. Não me esqueça, junto com uma pilha de vontades que passaram, não me esqueça, como uma roupa que não lhe agrada mais. Por que eu ainda me lembro, exatamente, de quando começamos e como planejamos terminar nossa história. Ainda sinto o gosto da sua boca quando tomo certas bebidas. Eu ainda espero pelo final feliz que me prometeu. 

12 de julho de 2016

Traição.


Seu sorriso estampado em fotos me perturba, me lembra que ele já foi minha cena favorita. Nossas musicas tocam em todo lugar, trazendo a tona a verdade que eu tento disfarçar, de que eu ainda sou a mesma mulher de dois anos atrás. A mesma que fingia não sentir nada, a mesma que te olhava como se fosse a última coisa que eu desejasse ver todas as noites. E cada vez que alguém diz seu nome, me sinto fugindo da felicidade que eu sempre desejei. Me sinto traindo a mim mesma, cada vez que digo que você não me importa mais. Onde foi que eu me perdi, quando foi que nossas mãos escaparam uma da outra?