16 de junho de 2017

Um apartamento vazio e uma cabeça cheia.



Estou me perguntando até onde eu posso chegar assim, até onde eu consigo andar sem sentir minhas pernas. Estou sozinha, numa casa vazia o feriado todo, me imaginando no mundo sem o par de olhos que eu segui por tanto tempo. Me imaginando caminhando sozinha, depois de anos esperando que ele me desse mão, mesmo que tenha sido tudo uma grande farsa, eu nunca me senti tão só quanto agora. 

Mesmo tendo aberto meus olhos, ainda dói como nunca, todos os dias. Cada manhã, quando coloco meus pés no chão, sinto como se doesse ainda mais que na noite anterior. Não cessa, não diminui, não me da paz. E cada minuto dos dias exageradamente longos que chegam, me lembram tudo que podia ter tido e abri mão. Me lembram cada frase que ele repetia da boca pra fora, que me fizeram desistir de ir embora dezenas de vezes. Me lembram que eu estive ao lado dele até o dia em que ele julgou útil e nenhum a mais.

Eu estou sentada em frente a uma parede branca e quase consigo ouvir o som da voz dele me julgando, seus conceitos baixos sobre mim e o maldito menosprezo por tudo que eu senti. Ele levou toda minha fé e atirou em algum lugar qualquer. Eu amei até quase enlouquecer, um homem que nunca esteve aqui e agora o fantasma dele me persegue aonde quer que eu vá.

12 de junho de 2017

O espetáculo acabou



Doeu em cada pedacinho do corpo, dilacerou de dentro pra fora sem chance de conserto. Feriu como nunca imaginei que fosse capaz, quando ele se virou e beijou outra pessoa, bem diante dos meus olhos, há menos de um metro, há menos de um mês de ter me jurado amor. Foi como cair 1000 metros e bater o corpo todo no chão em um segundo. Exatamente no pior momento, quando eu mais precisei dele, quando ele era a unica pessoa que podia me entender e me proteger.

Ele foi fundo na vingança, um ego ferido e a falta de amor que o habitam me machucaram como eu nunca esperei. De todas as mãos que segurei, a dele era a única que eu nunca acreditei que me soltaria. Foi a que me empurrou direto pro chão, quando eu mais precisei de segurança. O seu teatro me convenceu por tempo demais, mas não convence mais. 

26 de maio de 2017

A porta esta aberta.



Depois de algum tempo a gente entende que confiança é algo bem mais valoroso do que a gente supunha. A gente percebe que confiar em alguém é sair da armadura e deixar o outro te tocar. É partilhar seus medos com a firme certeza de que eles não serão usados contra você no futuro. Eu já confiei nas pessoas erradas e contei mentiras às pessoas certas. Já errei com quem nunca falhou comigo e continuei ao lado de quem falhava o tempo todo.

De todas as pessoas que passaram pela minha vida, uma, uma me conheceu melhor do que meu próprio espelho. Num mar de gente, foi o único que me viu desmontada da cabeça aos pés, sem vaidade alguma, sem qualquer proteção. E por ironia, foi quem bateu mais forte. Quem jogou verdades como tapas, quem usou meus medos como moeda de troca. Foi quem me fez acreditar que eu era insegura, imatura, volúvel. Quem usou cada uma das minhas malditas frases mal ditas, contra mim. Foi quem melhor atuou, quem mais machucou. 

E depois de tudo, ainda me culpa pelo caos, diz que o afasto da paz. Pois então meu bem, saiba que a porta esta aberta e pela primeira vez eu não vou chorar quando você sair. Vá atrás da sua paz e por favor devolva a minha. Você esta livre para procurar lá fora o que só encontrou até hoje, aqui dentro. Só não bata quando voltar de mãos vazias, por que eu já vou ter deixado de atender.

22 de abril de 2017

Último texto.



Eu espero que um dia ele se de conta de que cada vez que eu fui embora eu esperei ansiosamente que ele viesse atrás, espero que um dia ele perceba que tudo que eu fiz foi por ele. Eu que sempre escrevi na primeira pessoa, estou me despedindo em terceira. Não tenho pretensão de que ele entenda como é devastador abrir mão de alguém que se ama tanto, mas segurar por perto alguém que não deseja ficar, é se machucar todos os dias. É preciso aprender a diferença entre desistir e aceitar. Eu nunca desisti dele, mas hoje eu aceitei, aceitei que a vontade dele é diferente da minha. Eu aceitei que por mais que eu queira, querer por dois é impossível. Eu vou ama-lo por toda vida, mas ele não vai estar por perto pra saber.

Eu vou acordar ao lado de outra pessoa, mas sempre vou me lembrar de como era acordar ao lado dele. Eu vou gostar de outro homem, me casar e ter filhos, sonhar com a viagem em família e comemorar 50 anos de casamento, mas sempre vou me lembrar dos planos que fiz com ele. Sempre vou me lembrar dos nossos anos juntos. E desejo que um dia ele saiba, que eu nasci no dia em que ele me encontrou. Desejo que alguém segure a mão dele com a mesma força que eu segurei na nossa última despedida. E espero que esse alguém veja tudo que eu vejo quando o olho, que enxergue cada centímetro do seu corpo, mas que também saiba ver os sutis sinais de tristeza que ele deixa escapar. Que essa outra pessoa possa ama-lo a vida toda, tanto quanto eu amei numa só noite.

13 de abril de 2017

Sempre a mesma história.


Eu não sei se você ainda lê as coisas que deixo aqui. Mas são todas pra você. Eu não sei se você ainda se importa em saber, mas é sempre sobre você. E se por acaso está lendo isso agora, saiba que conseguiu. Você venceu.

Quanta bobagem minha pensar que dessa vez seria diferente, quanta ingenuidade imaginar que você escolheria ficar. Depois de todos esses anos eu ainda não sei dizer o que machuca mais, não saber de você ou saber que vai muito bem sem mim. De todas as coisas que já me feriram, a sua insegurança sempre foi a que chegou mais fundo. Em anos, você nunca me deixou na mão, mas nunca a segurou de verdade. Você esteva aqui, mas sempre pela metade. Enquanto eu fugia dezenas de vezes da sua indecisão, você permanecia sentado repetindo: eu sou assim. E era eu quem sempre batia na sua porta outra vez. Era eu quem voltava atrás, por que você sempre foi a pessoa que eu amei, em todos esses anos, eu sempre voltei.

Em cada ida eu me partia em centenas de pedaços, em cada retorno eu me enchia de esperança. Eu te esperei por muito tempo, antes de seguir minha vida. E você só me quis quando outro ameaçou me levar. Mas veja como a vida age, o mundo deu diversas voltas e eu estou aqui mais uma vez, parada na sua porta, mas ela esta fechada. Outra vez você tinha mais opções, outra vez eu não fui sua escolha. Dizem que a história se repete quando há algo para se aprender, talvez eu precise aprender a não confiar em você.

7 de abril de 2017

De volta ao inicio.



Um ano depois e nós voltamos exatamente ao mesmo lugar. Eu estava aos prantos quando de repente me dei conta de que nós estamos tendo uma segunda chance. Você faz ideia de como isso é raro? O destino nos trouxe de volta, percebe isso, não é coincidência, não é acaso, é o universo nos dando outra chance, depois de termos estragado tudo.

Eu cometi os mesmos erros que você cometeu, experimentei o mesmo fracasso que o teu e me machuquei ainda mais, quando estive longe. Escolhi seguir na direção contrária e de alguma forma, ainda assim, voltei pra você. Eu precisei me auto destruir pra entender que é do seu lado o meu lugar. 

Depois de 365 dias estamos tendo a mesma discussão outra vez, não toma a decisão errada de novo, não me manda embora pela segunda vez. Por que nós não teremos uma terceira chance, a maioria dos casais lá fora não tem ao menos a segunda. Uma vez na vida, acredita na gente, só uma vez, confia em mim.

30 de dezembro de 2016

Equívoco



A vida me parece uma sucessão de fracassos. Embora eu tente ser otimista, é como se algo gritasse no meu ouvido que vai doer outra vez, como se eu precisasse falhar até entender que talvez o amor que eu venho idealizando não exista mais em parte alguma do mundo. Ninguém mais acredita em amor absoluto, infindável, puro. Talvez eu devesse deixar de acreditar também.

As pessoas sobrevivem de trocas, de comodidades. O amor não entra mais no jogo, ele nunca foi e nunca será moeda de troca, por isso perdeu o valor. As pessoas se perderam. E quanto mais eu as conheço, mais frágil eu me sinto. Nas raras ocasiões em que por descuido me permiti amar outra pessoa, fui esmagadoramente decepcionada. Deixada para trás. Nas silenciosas vezes em que pensei ser correspondida, fui enganada pela minha própria intuição. Talvez seja essa a lição que o universo tenta me ensinar, não se pratica mais o amor, pelo menos não a minha maneira. 

No fim, pessoas são como animais selvagens, você se aproxima receosa e vagarosamente e quando finalmente perde-se o medo deles, quando se esta crédulo de que mal algum acontecerá, eles lhe arrancam um dos braços num bote inesperado e certeiro.