Tempo.
Dia 06 costumava ser meu dia favorito do ano, frase que eu repeti centenas de vezes, ano após ano, aliás, sete. Sete vezes comemoramos essa data, sete vezes paramos o que estávamos fazendo e voltamos um pro outro, mesmo que por uma noite. Sete bolos, seis e meio na verdade, se contar o ano que a grana estava curta demais pro bolo inteiro. Mas eu estive lá, em todos eles. Sete anos comemorando a vida de quem mudou a minha. Sete foi nosso prazo de validade, eu nunca gostei mesmo de números ímpares, nunca trazem nada bom. Esse seria o 8º ano fingindo que um dia ele se daria conta, quem acabou se dando conta foi eu, um pouco tarde, mas antes tarde do que nunca, é o que dizem.
Eu gostaria de dizer que não passei o dia todo lembrando dele, gostaria de dizer que não foi a primeira coisa em que pensei assim que abri os olhos pela manhã. Gostaria de dizer que hoje é só mais uma quinta-feira e que as duas garrafas de vinho vazias são só pra comemorar o apartamento novo. Deixar de amar de alguém leva tempo, mesmo alguém que te quebrou em dezenas de pedaços, e hoje tudo que eu quero do tempo, é que ele passe, especialmente hoje.

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