19 de julho de 2017

Saudade.



Saudade é não saber, não saber se ele tem saído todas as noites, se ainda assiste jogos às quartas, se joga videogame ou se já descobriu que um passatempo menos irritante. Saudade é não saber se ele ainda dorme tarde, se conseguiu outro emprego, se ainda usa aquele moletom. Não saber se ele tem cozinhado, se tem dormido bem, se cortou o cabelo ou deixou a barba crescer. Saudade é estar sozinha numa mesa e vê-lo passar do outro lado da rua e permanecer em silêncio. Saudade é morar no mesmo bairro e não fazer ideia de como ele tem passado. É mudar a rota pra casa todos os dias, só pra não encontra-lo por descuido. E por descuido deixo-lo perceber que saudade mesmo é viver com alguém e sentir saudade de como ele costumava ser.

17 de julho de 2017

Remetente não encontrado.

Quantas brigas já comprei por sua causa, quantos insultos ouvi por assumir a bronca de amar tão errado, como se amar, de qualquer forma, não fosse divino. Quantas pessoas legais eu mandei embora, quantas noites eu quis sumir e quantas quis que você me encontrasse. Ah, quanto tempo eu esperei por você, pra terminar aqui, escrevendo pra um remetente que nunca vai chegar a ler. Amando sozinha outra vez, só pra não esquecer como é, amar o homem que escolheu não estar ouvindo isso da minha boca. Amar o homem que deseja minha felicidade e ignora o fato de que, o que eu queria mesmo era ser feliz com ele.

6 de julho de 2017

Eu sempre gostei de mergulhar, mas você prefere a margem.



Eu jurei que nunca mais te escreveria na primeira pessoa, jurei que você havia destruído tudo de bonito que um dia eu cultivei em mim, mais duas promessas quebradas. Mas tudo bem, eu também já jurei que nunca dormiria no seu colo pela segunda vez, jurei que nunca mais bateria na sua porta quando sentisse medo, jurei que não voltaria atrás, pelo menos uma dezena de vezes. E estava errada em todas elas. Eu quebrei cada promessa que me afastava de você, eu abri mão de coisas que você nunca saberá. Passei por cima do meu orgulho, meus princípios, minhas verdades, só para não passar por cima de você.

Eu explodi centenas de vezes e esperei que você juntasse meus pedacinhos, eu tomei conta de todas as horas do seu dia, só pra que você sentisse minha falta quando eu partisse, me fiz em muitas mulheres, para que pelo menos uma te agradasse. Mas nada disso te impediu de me esquecer. Nem todas as risadas de anos, juntas, te impediram de virar as costas e ir embora.

Eu não espero que você se importe, nem sequer que você saiba de tudo isso. Na verdade eu deixei de esperar muitas coisas e uma delas, foi você. Eu nunca duvidei que eu te despertasse algo, mas você nunca teve coragem de sentir de fato, de segurar minha mão. Sempre te trouxe mais problemas do que soluções, eu sei. Mas eu sempre estive aqui.

Hoje eu sei o quanto nossos erros foram pequenos perto do nosso orgulho, hoje eu sei o que você só vai descobrir daqui alguns anos, que a vida passa rápido demais quando estamos perdendo tempo. E que cada segundo que você desperdiça tentando se convencer entre o que quer e o que deve fazer, fará muita falta no fim da sua vida. Mas eu vou te deixar descobrir isso sozinho. Por mais que me machuque a ideia de que você possa sentir qualquer forma de dor, a minha última promessa eu vou manter, não vou mais atrás de você. E se algum dia você passar aqui, saiba que tudo que eu lhe disse da última vez foi tentando convencer a mim mesma. Tentando, ao menos por um minuto, não te amar tanto.

Eu desisti de gastar o resto da minha vida tentando sem sucesso te odiar, é cansativo e inútil, você foi o amor da minha vida, dessa vida. Mas também desisti de tentar te convencer disso, você decidiu abandonar o barco e eu finalmente aceitei isso.