Tão pouco.
Há uma porção de nós escondida de olhos curiosos, de ouvidos alheios. Há pedacinhos numerados de instantes que ninguém enxergou, que passaram num piscar de olhos. Segundos em que eu acreditei que era possível ter tudo.
Estranho pensar nele hoje, mal o reconheço. O ser humano que melhor me conheceu é um estranho agora. Nossas noites de conversas infinitas, nossas tradições esquisitas, nossa guerra fria. Eu tive que me desfazer. Tive que desaprender a gostar tanto daqueles olhos.
De tudo, sobrou tão pouco. Do nosso mundo, só uma fotografia e alguns rascunhos na estante.

Comentários
Postar um comentário