Inconsciente.




Um mês. Me parece um ano, a última vez em que escrevi pra ele. Um mês desde a noite em que jurei que nunca o perdoaria e ainda não sou capaz disso. Espero um dia me lembrar sem sentir a boca amargar, sem precisar segurar o choro, cada vez que essa data me vier à cabeça. Talvez ainda leve mais algum tempo pra eu conseguir contar à alguém o que eu senti naquela noite. 
Há um mês eu venho mudando tudo de lugar, troquei os móveis de posição e joguei fora tudo que ele já tivesse tocado, até mesmo a faca que ele entortou tentando abrir o último vinho que tomaríamos juntos. Cada pedacinho dos últimos anos, que eu tento todos os dias enterrar, estavam silenciosos até noite passada quando sonhei com ele.
Eu deitei exausta e não me lembro a que altura da madrugada acordei repetindo o nome que eu evito pronunciar. Fazia dias que ele não passava pela minha cabeça, mas noite passada ele voltou, com a minha blusa favorita e eu quase pude sentir o cheiro dele enquanto encostava o queixo no meu ombro. Abri os olhos e me odiei por algum tempo, por quase sentir saudades do homem que me convenceu de que eu era insuficiente. Passei o resto da noite acordada, relembrando todas as vezes em que ele me abandonou e voltei a odia-lo, talvez até mais do que antes.

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