22 de abril de 2017

Último texto.



Eu espero que um dia ele se de conta de que cada vez que eu fui embora eu esperei ansiosamente que ele viesse atrás, espero que um dia ele perceba que tudo que eu fiz foi por ele. Eu que sempre escrevi na primeira pessoa, estou me despedindo em terceira. Não tenho pretensão de que ele entenda como é devastador abrir mão de alguém que se ama tanto, mas segurar por perto alguém que não deseja ficar, é se machucar todos os dias. É preciso aprender a diferença entre desistir e aceitar. Eu nunca desisti dele, mas hoje eu aceitei, aceitei que a vontade dele é diferente da minha. Eu aceitei que por mais que eu queira, querer por dois é impossível. Eu vou ama-lo por toda vida, mas ele não vai estar por perto pra saber.

Eu vou acordar ao lado de outra pessoa, mas sempre vou me lembrar de como era acordar ao lado dele. Eu vou gostar de outro homem, me casar e ter filhos, sonhar com a viagem em família e comemorar 50 anos de casamento, mas sempre vou me lembrar dos planos que fiz com ele. Sempre vou me lembrar dos nossos anos juntos. E desejo que um dia ele saiba, que eu nasci no dia em que ele me encontrou. Desejo que alguém segure a mão dele com a mesma força que eu segurei na nossa última despedida. E espero que esse alguém veja tudo que eu vejo quando o olho, que enxergue cada centímetro do seu corpo, mas que também saiba ver os sutis sinais de tristeza que ele deixa escapar. Que essa outra pessoa possa ama-lo a vida toda, tanto quanto eu amei numa só noite.

13 de abril de 2017

Sempre a mesma história.


Eu não sei se você ainda lê as coisas que deixo aqui. Mas são todas pra você. Eu não sei se você ainda se importa em saber, mas é sempre sobre você. E se por acaso está lendo isso agora, saiba que conseguiu. Você venceu.

Quanta bobagem minha pensar que dessa vez seria diferente, quanta ingenuidade imaginar que você escolheria ficar. Depois de todos esses anos eu ainda não sei dizer o que machuca mais, não saber de você ou saber que vai muito bem sem mim. De todas as coisas que já me feriram, a sua insegurança sempre foi a que chegou mais fundo. Em anos, você nunca me deixou na mão, mas nunca a segurou de verdade. Você esteva aqui, mas sempre pela metade. Enquanto eu fugia dezenas de vezes da sua indecisão, você permanecia sentado repetindo: eu sou assim. E era eu quem sempre batia na sua porta outra vez. Era eu quem voltava atrás, por que você sempre foi a pessoa que eu amei, em todos esses anos, eu sempre voltei.

Em cada ida eu me partia em centenas de pedaços, em cada retorno eu me enchia de esperança. Eu te esperei por muito tempo, antes de seguir minha vida. E você só me quis quando outro ameaçou me levar. Mas veja como a vida age, o mundo deu diversas voltas e eu estou aqui mais uma vez, parada na sua porta, mas ela esta fechada. Outra vez você tinha mais opções, outra vez eu não fui sua escolha. Dizem que a história se repete quando há algo para se aprender, talvez eu precise aprender a não confiar em você.

7 de abril de 2017

De volta ao inicio.



Um ano depois e nós voltamos exatamente ao mesmo lugar. Eu estava aos prantos quando de repente me dei conta de que nós estamos tendo uma segunda chance. Você faz ideia de como isso é raro? O destino nos trouxe de volta, percebe isso, não é coincidência, não é acaso, é o universo nos dando outra chance, depois de termos estragado tudo.

Eu cometi os mesmos erros que você cometeu, experimentei o mesmo fracasso que o teu e me machuquei ainda mais, quando estive longe. Escolhi seguir na direção contrária e de alguma forma, ainda assim, voltei pra você. Eu precisei me auto destruir pra entender que é do seu lado o meu lugar. 

Depois de 365 dias estamos tendo a mesma discussão outra vez, não toma a decisão errada de novo, não me manda embora pela segunda vez. Por que nós não teremos uma terceira chance, a maioria dos casais lá fora não tem ao menos a segunda. Uma vez na vida, acredita na gente, só uma vez, confia em mim.