30 de dezembro de 2016

Equívoco



A vida me parece uma sucessão de fracassos. Embora eu tente ser otimista, é como se algo gritasse no meu ouvido que vai doer outra vez, como se eu precisasse falhar até entender que talvez o amor que eu venho idealizando não exista mais em parte alguma do mundo. Ninguém mais acredita em amor absoluto, infindável, puro. Talvez eu devesse deixar de acreditar também.

As pessoas sobrevivem de trocas, de comodidades. O amor não entra mais no jogo, ele nunca foi e nunca será moeda de troca, por isso perdeu o valor. As pessoas se perderam. E quanto mais eu as conheço, mais frágil eu me sinto. Nas raras ocasiões em que por descuido me permiti amar outra pessoa, fui esmagadoramente decepcionada. Deixada para trás. Nas silenciosas vezes em que pensei ser correspondida, fui enganada pela minha própria intuição. Talvez seja essa a lição que o universo tenta me ensinar, não se pratica mais o amor, pelo menos não a minha maneira. 

No fim, pessoas são como animais selvagens, você se aproxima receosa e vagarosamente e quando finalmente perde-se o medo deles, quando se esta crédulo de que mal algum acontecerá, eles lhe arrancam um dos braços num bote inesperado e certeiro.

Um comentário:

  1. A quem se ama, o amor de ninguém falta. A quem não, o de ninguém basta.
    GK

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