14 de janeiro de 2016

Deixe ir, deixe ser.


De todos os curtos romances que tive, você foi o único com quem eu quis passar o resto dos meus dias. Você foi a unica pessoa com quem eu quis dividir meus segredos, foi pra você que eu me deixei mostrar de verdade. Sem disfarces, sem medo de errar, sem medo de me deixar vencer. Com você eu nunca quis competir pra ver quem mandava mais. Eu que nunca fui a parte fraca de nenhuma relação, só queria que você me protegesse. Pela primeira vez na vida eu quis me perder, abrir mão do controle. Eu encontrei em você a paz de não precisar ser perfeita. Você é uma daquelas pouquíssimas pessoas que a gente não se importa de esperar a vida toda pra conhecer. Mas preferiu ir embora a ficar, decidiu ser saudade ao invés de presença. E eu deixei ir, querendo que ficasse, deixei partir, mesmo que me partisse junto.

Interrompido pelo quase.


O que mais dói é que você preferiu a vastidão do 'e se' a tentar. Eu aceitaria, doloridamente, mas aceitaria a certeza do fracasso, o que eu não aceito é você ter roubado isso de mim. Roubado de si. Poderíamos ter sido o maior erro de nossas vidas, uma bomba relógio. Poderíamos sim, ter sido um grande equivoco, um desastre de grande escala. Poderíamos terminar aos gritos, com choro e ofensas, com cacos por toda parte. E ainda assim seria melhor do que terminar nesse maldito 'e se'. Com essa nuvem de dúvida sobre minha cabeça, imaginando incansavelmente onde chegaríamos juntos.