16 de outubro de 2015

Antes só do que meio acompanhada



A gente sabe, lá no fundo, a gente sempre sabe o que é real e o que não passa de uma vontade absurda de seja real. A gente sabe a diferença de quando é afeto e de quando não passa de conveniência, o que aliás é um tremendo egoísmo, apoiar-se em alguém pelo simples medo de ficar só, deixar que o outro se acostume com sua presença sem a intenção de permanecer.
A gente quer tanto que dê certo, que acaba aceitando um pouco de carinho, um pouco de atenção, um pouco de tudo que deveria vir inteiro. A gente deseja tanto ficar junto que se esquece de notar se o outro também nos quer por perto. E a gente insiste, reclama atenção - mesmo sabendo que quando ela não nos é dada, não adianta mendigar - e fecha os olhos para os encontros desmarcados, as chegadas adiadas, a falta de tempo, a notável indiferença. E continua-se ali, ao lado de quem só se faz presente quando é cômodo. 
Mas de repente cai a ficha e você percebe que ter só metade de alguém é o mesmo que não o ter. Ninguém se dá pela metade, é tudo ou nada, se você só esta recebendo isso, muito provavelmente você se encaixa no nada. E eis a hora de abrir os olhos e notar que se você sobrevive com metade, viverá sem. Exatamente, viverá, porque viver é diferente de sobreviver.