27 de maio de 2013

Antes de me perder.

Você nunca ria das minhas piadas. Não se interessava pelos meus dias. Não sabia pra qual time de futebol eu torcia, nem qual era minha música favorita. Criticava o modo como eu falava e minha risada alta te incomodava. Nunca gostou das mesmas musicas que eu e prefira ficar sentado à dançar. Odiava meu esmalte rosa e meu shorts rasgado. Fazia questão de ressaltar meus defeitos e acho que nunca prestou atenção nas minhas milhares de tentativas falhas de te agradar. Me deixava em casa pra sair com seus amigos e todas aquelas garotas que mais pareciam de plastico, montadas como barbies. Me dizia "te amo" como quem diz "vou até a padaria". Reclamava do meu perfume, nem sei quantas vezes eu troquei, nenhum nunca te agradou. Não gostava do modo como eu prendia o cabelo e me dizia que era melhor desistir, eu não era boa o suficiente para aquela faculdade. Aliás, eu nunca era boa o suficiente em nada. Mas eu permaneci ao seu lado por muito tempo, nem sei por quais motivos, mas eu permaneci.
Eu fiz tudo que pude pra ser mais inteligente, elegante, discreta, bonita e agradável. Mas um belo dia eu acordei e percebi que nunca seria a mulher ideal pra você. E sabe, isso é ótimo, porque eu nunca quis me tornar o tipo de mulher com quem você socializa. Eu queria seus olhos mirados em mim, mas nunca quis ser o tipo de mulher que pra quem você olha. Eu já era o que eu queria ser, não fazia sentido mudar. Foi nesse dia que eu decidi ir embora, e foi nesse dia que você resolveu me amar.
Mensagens ignoradas, ligações não atendidas, encontros evitados. Você não era mais parte fundamental da minha vida, não era mais o cara certo. Eu conheci alguém que me amou antes de me perder.

23 de maio de 2013

Bem acompanhada.

Antes eu costumava imaginar você me acompanhando por todo o caminho de casa, como no dia em que nos conhecemos. Mas ultimamente minha única companhia tem sido eu mesma. E pela primeira vez me sinto completa de verdade. Eu que achava que você fosse o que faltava em mim, descobri que nunca me faltou nada.

Espaço em branco...

Não é saudade, não é. Não é amor disfarçado, nem orgulho ferido. É só um nada que ficou onde você costumava ficar. As frases que leio por aí já não servem pra mim. Não rolo mais na cama antes de dormir, nem tenho mais por quem pedir. Eu vejo casais na rua e não me vejo mais do seu lado. Eu leio amor, mas não o sinto. Ouço musicas e não escuto mais seu nome na melodia. Nenhum tipo de sentimento se encaixa em mim. O amor acabou e tudo que sobrou foi um estranho espaço em branco, como aquele de quando jogamos um móvel velho fora. Você que era tudo pra mim, agora é só um nome numa lista idiota, um rosto nas fotografias, só um cara que conheci.

Encontro.

Andando distraída por alguma rua, o destino resolveu me levar até você. Por um mero acaso nós nos encontramos em alguma esquina qualquer. Se você tivesse saído de casa dez minutos antes não teríamos nos encontrado. Se meu almoço tivesse demorado alguns minutos a mais, também não teríamos nos encontrado. Se você tivesse escolhido qualquer outra rua nós dois jamais cruzaríamos um pelo outro. Se eu tivesse tomado outro caminho, ah se eu tivesse tomado outro caminho, não teria te amado tanto. Mas como numa peça do destino tudo se encaixou perfeitamente para que nós dois pudéssemos nos ver naquele dia. Naquele instante. Naquelas circunstancias.
O sorriso mais bonito que já conheci, não por ser bonito de fato e sim por ter o encanto de que sorri com gosto, com vontade de ser feliz. E no instante em que te vi, eu soube que estava diante de tudo que faltava em mim. Todo o resto perdeu a importância.
Depois de passar o dia todo ao seu lado, cada palavra que saia da sua boca me fazia sorrir, feito alguém que acaba de ganhar na loteria. Você era como um pedaço do céu que cabia dentro do meu abraço. E eu te amei. Desde a primeira vez em que você sorriu pra mim, eu te amei. Naquele instante, diante dos seus olhos, entre seus braços, eu estava assinando minha sentença. Me dei de presente a você e acho que essa foi uma das maiores, se não a maior, estupidez que já cometi. Daquele dia em diante eu pertenceria a você...