26 de abril de 2013

Simples assim.

Existe tanta gente interessante por ai. Existe tanta gente bonita, bonita do lado de dentro. E as pessoas bobas preocupadas com dinheiro. Preocupadas com seus carros e roupas, nem se dão conta da beleza que existe na simplicidade. Há um encanto especial em que leva a vida de um jeito simples, sem se importar com que vão pensar, sem as complicações de quem vive de aparências. No fundo, a gente não precisa de toda essa modernidade, de todo esse dinheiro, de toda essa agitação do mundo. Só precisamos de alguém que queira dividir uma cama, um café, um sonho e uma vontade de viver. Viver feliz.

20 de abril de 2013

Não duvide de si mesmo!

Você é interessante sim. O problema é que as pessoas costumam julgar depois da primeira frase que sai da sua boca. Elas não dão tempo. Não esperam pra conhecer melhor, te classificam como monótono e te esquecem. Mas olha, você é muito mais do que uma conclusão que tiraram em 15 minutos de conversa. Você provavelmente tem muitas histórias pra contar. Tem algum lugar favorito no mundo. Você com certeza tem sonhos e segredos que não conta. Tem medo. Tem manias só suas. Tem um dom, não importa qual seja, você é bom nisso. Ninguém é só o que se pode ver. Todos nós temos um lado que o mundo não conhece. E não importa que digam o contrario, tenha certeza de que você é sim, especial. Existe alguém por ai, só esperando pra te conhecer.

Mania de sentir demais.


Eu tenho esse dom ou defeito, de transformar qualquer lance de uma noite em uma coisa bonita. Essa mania de querer colocar emoção em tudo, em todos. Mania irreparável de procurar um sentido oculto em cada frase ou movimento realizado. Sempre julgo as pessoas mais encantadoras e misteriosas do que elas realmente são. Preciso parar com isso!

12 de abril de 2013

Visita ao ex-homem da minha vida.

Tomei coragem, entrei no carro e dirigi até sua casa. Faz tempo desde a última vez em que estive aqui, tempo demais eu diria. Eu sentia meu estômago revirar vazio. Era como aquele frio na barriga quando você esta prestes a fazer algo importante ou arriscado. E nesse caso eram as duas coisas.
Você estava lavando o carro. Sem camisa, descalço, ouvindo as mesmas musicas de sempre. Era como se o tempo não tivesse passado pra você. Como se ainda fosse exatamente o mesmo menino. E naquele instante foi como se eu tivesse voltado um ano no tempo. Parece pouco, mas um ano muda muita coisa, tira tudo do lugar. Contei até 3 e desci do carro. Você me olhava como quem tenta disfarçar o espanto. E abriu o mesmo sorriso ordinário e gostoso de sempre. Antes que pudesse me dizer oi ou perguntar o que eu estava fazendo, eu comecei a despejar tudo que nunca ousei te dizer.
"Cala boca e me escuta, por favor... Eu nem sei como eu consegui chegar até aqui, mas eu cheguei. E eu  queria te dizer o quanto você foi um imbecil comigo. O quanto eu dei duro pra ficar do seu lado e como eu quis arrancar cada osso do seu corpo quando você jogou tudo isso fora. Eu abri mão de uma coisa chamada orgulho por você, mas tudo bem porque orgulho, apesar de fazer parte de mim, é mesmo algo  dispensável. Eu briguei com muita gente pra defender nós dois porque eu pensei que nós tínhamos algo especial. Mas eu estava enganada. Você tinha algo especial, eu. E só. Eu me perguntei umas 488 mil vezes o que tinha de errado comigo e porque você não me levava a sério. Ai eu descobri que não tem nada de errado comigo, o problema sempre foi você e o seu ego imenso que te faz pensar que você é fantástico. Mas única coisa fantástica aqui foi a minha capacidade de achar que no fundo você tinha algo de bom. Você é raso, fútil, superficial e mimado. Eu nem sequer posso sentir raiva de você, porque tudo que eu sinto é pena. Pena por você não ter reconhecido a mulher sensacional que eu sou e que você acaba de perder."
Antes que ele tivesse tempo pra me responder eu virei e sai desfilando, é, desfilando. Porque andar naquele momento não era suficiente. Entrei no carro, liguei o som e voltei pra casa me sentindo mais mulher do que nunca.

11 de abril de 2013

E quando vira amor?

Outro fim de relacionamento, não sei porque ela ainda insiste com os mesmos caras. Não literalmente os mesmos, mas o mesmo tipo, idiotas. Dormiu enquanto chorava, depois de chegar de mais um romance fracassado. Nem preciso dizer que a maquiagem estava mais borrada que a de uma Drag Queen depois de um porre. Era uma cena lamentável aos olhos de Antonio, o mais intimo e preocupado, amigo da jovem recém abandonada.
Eles tomavam café da manhã juntos todas as manhãs da semana, exceto aos domingos, dia em que Antonio visitava a avó e Isabel acordava de ressaca quase na hora do almoço.
Ele entrou no quarto com seu bom humor matinal quase irritante e pelo estado em que encontrou Isabel soube logo, mais um romance havia acabado.
"Não sei porque você ainda chora, todos eles sempre vão embora."
"Você poderia ser mais compreensivo com a minha perca, não?"
"E você poderia aprender a não levar tão a sério, semana que vem vai estar bebendo com ou por outro cara."
"Não levar a sério? Minha vida amorosa é mesmo uma piada pra você, não é. Só que dessa vez é pra valer, eu estava apaixonada."
"Você disse a mesma coisa duas semanas atrás. Levanta e vem, hora do café. E por favor, lava o rosto, você ta terrível."
"Preciso de álcool não de café.
"Às 8 da manhã? Você quem sabe."
Eles pareciam não concordar em nada. Ele praticava esportes e mantinha um regime saudável. Ela começava academia todo mês, mas nunca frequentava mais do que 4 dias. Ele era do tipo misterioso. Ela era facilmente decifrável. Ele gostava de som ambiente. Ela de enlouquecer os vizinhos com o volume mais alto. Ele tinha poucos amigos. Ela conhecia até os taxistas da cidade. Ele gostava de gatos. Ela preferia cães. Ele tinha um sorriso calmo, tranquilo, quase misterioso. Ela tinha uma gargalhada que se ouvia à metros. Havia algo de errado no cosmo, eles nunca deviam ter simpatizado um pelo outro.
"Estou pronta."
"Finalmente, acho que devíamos almoçar pela hora que já é."
"Mania chata a sua de cronometrar a vida."
"Mania chata a sua de estar sempre atrasada."
Saíram juntos até a padaria da esquina. O lugar de sempre. Era quase uma tradição. Mas essa não era uma manhã qualquer. Depois de hoje as coisas mudariam, talvez pra melhor talvez não. Mas com certeza mudariam.
Um homem com jeans rasgado, camiseta branca por baixo de uma camisa escura e tênis entra na padaria. Os olhos de Isabel se fixaram. Pareciam atravessar o sujeito. E Antonio sentiu um desconforto. Era o cara da noite passada, e Antonio odiou aquilo. Odiou aquele cara ali, no lugar que era só dos dois. Odiou a invasão, odiou a atenção que o sujeitinho recebeu, odiou. Saber que Isabel saia com outros caras nunca o incomodara tanto. Talvez porque ele nunca tenha conhecido nenhum deles sequer. Os homens com quem ela saiu nunca tomaram forma. Nunca tiveram um rosto. Mas aquele estava ali. Pela primeira vez ele se sentiu menos especial. Menos único pra ela. Afinal, o cara tava ali. E ela estava nitidamente abalada.
"Vamos embora Bel?"
"Será que dava pra esperar um pouco mais? Só um pouco?"
"Não temos tempo, preciso chegar mais cedo hoje."
"Então vai na frente, eu vou ficar aqui um pouco mais."
Um pouco mais? Ela queria ficar um pouco mais ali, com ele. Ele era pra ser só mais um e porque diabos estava aqui hoje. Será que ela ensinou o endereço da nossa padaria a ele pra que pudessem tomar café juntos caso não tivessem terminado? Será que eu seria trocado essa manhã se ele não tivesse feito besteira e terminado com ela? Será que dessa vez é pra valer, ela ama esse sujeito? Aliás, quem é esse sujeito?
Antonio fez a si mesmo todas essas perguntas em menos de um minuto. Pela primeira vez ele se sentiu ameaçado. Com medo. Talvez fosse hora de contar tudo que havia descoberto à noites atrás. Ele não queria ser só um amigo pro resto da vida. Ele não queria mais dar conselhos, não queria mais rir dos desastres amorosos dela. Queria ser um deles. Ele não queria mais ouvi-la lamentar por caras que nem a conheciam direito. Passou o dia e parte da noite criando coragem pra falar com ela.
"Precisamos conversar."
"Agora?"
"Eu sei que é meio tarde, mas não posso esperar."
"Meio tarde? São duas da manhã. Eu diria que é bem tarde."
"Não dá mesmo pra esperar, tem que ser agora. To aqui fora, abre a porta."
"Você ta aqui? Ta aqui fora? Qual seu problema, não podia esperar até amanhã?"
"Não"
E desliga o telefone.
Ela abre a porta com a cara mais sonolenta que se possa imaginar, cabelo bagunçado, pijama e uma lanterna porque a luz da área esta queimada a quase um mês e por preguiça e falta de tempo ninguém à trocou.
Antonio mal lhe deu tempo pra chama-lo pra entrar e ali fora mesmo começou a dizer tudo que um simples amigo não diz.
"Não sei porque isso aconteceu, mas hoje de manhã eu quis muito arrastar aquele sujeito pra longe de você, pra longe de tudo que fosse seu. Eu acho que nunca odiei tanto uma pessoa. Ele não merece seu rosto manchado na manha seguinte, não merece o porre que você quis tomar por ter levado um fora, aliás nenhum dos caras com quem você saiu até hoje merece. Afinal, quem é imbecil o suficiente pra te dar um fora. Você é tudo que qualquer cara com o QI médio quer. Não, você é tudo que qualquer cara, com ou sem QI quer. Quando eu disse que você ia estar apaixonada por outro semana que vem, eu daria qualquer coisa pra ser esse outro.Você é divertida, corajosa, espontânea, bem-humorada.Você tem a risada mais gostosa que eu já ouvi até hoje, eu poderia ficar te vendo sorrir pro resto da minha vida. Você é educada sem parecer falsa, é inteligente sem parecer arrogante. Você é incrível e eu sinceramente não posso mais te ver se machucar com esses idiotas que não conseguem ver metade da mulher que você é. Droga, eu te amo Isabel."
A lanterna cai no chão, Isabel quase cai no chão com tudo isso que acaba de ouvir. E ao contrario de qualquer reação que Antonio esperava, ela soltou uma gargalhada. Uma daquelas que dá vontade de rir junto. E disse:
"Porque você demorou tanto tempo pra falar isso? Eu estava quase desistindo de esperar por você."
"Como assim?"
"Todos os caras com quem eu sai até hoje foram tentativas falhas de encontrar você em outra pessoa. Eu estava esperando você se dar conta de que nós nunca fomos só amigos."
E o assunto se encerrou. Como todo mundo deve imaginar, eles se beijaram ali mesmo no quintal, iluminados pelo luz fraca de um poste da rua.

8 ou 80!

Porque é sempre assim, eu sou assim. Não sei comer na medida certa, não sei falar na medida certa, não sei  dançar na medida certa e não sei gostar na medida certa. Eu sou sempre esse desequilíbrio  É tudo ou nada, sem meio termo, sem medida certa. E nesses meus exageros sempre acabo sozinha com minhas expectativas, que sempre são ou extremamente boas ou completamente ruins. Olha só, até as minhas palavras são em excesso. Mas eu to tentando, to tentando não ser sempre assim. Tentando não fazer de tudo uma festa ou uma tragédia. Porque quando se é assim, como eu, os amores são mais fortes, mas a dores são sempre maiores. Eu preciso aprender a diferenciar quem é digno de uma noite de choro, de quem não merece nem meus sorrisos mais amarelos. Sofrer por todo romance é loucura.